Profissões do turfe: conheça a rotina dos cavalariços

Profissões do turfe: conheça a rotina dos cavalariços

O turfe é um esporte bastante popular e altamente rentável, que movimenta cerca de um bilhão de reais todos os anos no Brasil. O Grande Prêmio Brasil, por exemplo, é uma das competições mais consagradas do esporte brasileiro e responsável por atrair anualmente ao Jockey Club um público que chega à casa do milhar.

Por trás de todo esse glamour, existem alguns profissionais que trabalham incansavelmente nos bastidores para que o show da corrida de cavalos seja sempre um verdadeiro sucesso. É o caso dos cavalariços.

A seguir, explicaremos as principais funções desses profissionais e a importância que têm para o turfe, além de detalharmos como é o cotidiano de trabalho da maioria deles. Ficou curioso? Então, continue a leitura!

O que é um cavalariço?

Conforme mencionado acima, o cavalariço é aquele que garante o bem-estar dos cavalos de corrida por meio de cuidados alimentares, higiênicos e educacionais.

Mercado de trabalho

Para trabalhar nessa área, é preciso fazer cursos específicos com módulos que incluem desde aulas teóricas até práticas. O mercado é bastante amplo e oferece diversas oportunidades, já que existe um déficit de mão de obra qualificada no setor.

Para se ter uma ideia, somente no Estado de São Paulo há pelo menos 220 centros de hipismo e mais de 500 haras. O salário fixo não costuma ser muito maior do que a remuneração mínima estabelecida por lei, apesar de existirem discrepâncias entre os valores pagos em algumas regiões do Brasil.

Remuneração

De acordo com o site Piso Salarial, a região que melhor paga os cavalariços é a capital do Rio Grande do Sul. Segundo a pesquisa, a média salarial de Porto Alegre é R$ 2.000,00 — mais do que o dobro de estados como Ceará, Maranhão e Paraíba, por exemplo, cuja média não passa de R$ 954,00.

Vale lembrar que é bastante comum a prática de “caixinhas” dadas pelos proprietários dos animais aos cavalariços, o que pode aumentar (e muito) os rendimentos desse profissional no final do mês.

Mas é preciso ter parcimônia com tal agrado, já que ele não é, de forma alguma, obrigação do proprietário. Trata-se apenas de uma prática de gratificação espontânea que não deve ser cobrada em nenhuma hipótese.

Como são os cursos de capacitação na área?

Como dito, os cursos de formação exigem tanto a teoria quanto a prática, focando em um profissional com múltiplas habilidades. Além do básico, que inclui alimentação, higiene, ferrageamento e casqueamento, há aulas que ensinam técnicas de controle do animal quando ele está sob o efeito de estresse ou medo, como atravessar locais que tenham água.

Os participantes também aprendem sobre postura e posicionamento na sela para o controle dos cavalos, bem como exercícios em chão para a condução correta do animal desmontado. Mas não para por aí! Para aqueles que querem se aprofundar mais, existem módulos sobre psicologia em equinos.

Neles, os profissionais conhecem aspectos ligados ao comportamento natural do cavalo e à reação emotiva que apresentam frente a diferentes situações. Essas aulas instruem os futuros cavalariços a reconhecerem alguns sinais emitidos pelo animal, como:

  • orelhas voltadas para trás (sinal de raiva e descontentamento);
  • orelhas caídas (sonolência e fadiga);
  • cauda erguida (excitação);
  • olhar fixo e orelhas levantadas (curiosidade);
  • bocejo e movimentos constantes com a boca sem que esteja se alimentando (confiança e relaxamento).

Os cursos oferecem certificados e variam bastante em relação aos custos, por isso é recomendado fazer uma boa pesquisa antes de escolher a instituição.

Qual é a rotina dos cavalariços?

Geralmente, os profissionais começam a trabalhar antes do nascer sol, por volta das 4h da madrugada. Nesse horário, eles oferecem a primeira refeição dos animais.

Parte da manhã

Durante as primeiras horas de serviço, além da alimentação, os cavalariços precisam cuidar da limpeza das baias, retirando o esterco e toda a urina. O teto da baia também deve ser higienizado, com a retirada das teias de aranha, de todo o pó e da sujeira que se acumula.

Os cochos e bebedouros precisam ser lavados diariamente com água corrente, para evitar que restos de comida apodreçam e ofereçam riscos à saúde do animal. Além disso, é no período da manhã que o cavalariço realiza a lubrificação das fechaduras da baia a cada 15 dias.

Período vespertino

Na parte da tarde, os cavalariços oferecem a segunda refeição aos cavalos e costumam levá-los para caminhar ou nadar. É durante essas atividades que os exercícios de adestramento são praticados, tanto em terra (montado e desmontado) quanto em água.

Também são estabelecidas as conexões psicológicas e os laços entre o cavalariço e o animal nesses momentos. Assim, o profissional coloca em prática tudo o que aprendeu nas aulas de psicologia e adestramento equino.

Fim de expediente

Após o término das atividades ao ar livre, os cavalariços retornam o animal às suas baias para higienizá-los e escová-los. Esta última tarefa, se conduzida de forma correta, retira pelos e peles mortas, alivia a tensão muscular e ativa a circulação sanguínea na região — além de, é claro, deixar os pelos planos e lisos.

Depois, o ferrageamento e o casqueamento são realizados, como a aplicação de lâminas de ferro e a correção do aprumo do pé. Antes de ir embora, é preciso oferecer a última refeição do dia aos cavalos, verificar se tudo está em ordem, arrumar as camas de palha e verificar os bebedouros, por exemplo. Por último, deve-se fazer a contagem dos animais.

Chega, então, a hora da despedida (e cada um dos cavalariços tem sua própria maneira de se despedir dos animais, com direito a afagos e até beijinhos). Depois, os profissionais voltam ao conforto de seus lares para descansarem e recomeçarem com ânimo e paixão pela profissão no dia seguinte.

Como visto, os cavalariços são parte fundamental para o sucesso das corridas de cavalo. Esse esporte vem movimentando e aquecendo a economia do país por meio da geração de empregos e renda desde o século XX.

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