Renan Marques, um vencedor, dentro e fora das pistas

Aos 63 anos, Renan Peixoto Marques é um treinador de cavalos de corrida dos mais talentosos do turfe brasileiro.

O sorridente Renan Marques

Com 31 cavalos sob seus cuidados, todos alojados no Hipódromo da Gávea, o profissional tem apresentado seus animais em forma estupenda e figurar na quarta colocação da estatística do concorridíssimo turfe carioca é prova disso.

Renan, que começou sua carreira no turfe carioca como aprendiz em 1973, montou profissionalmente até 1987, quando tirou sua licença de treinador e “pendurou o chicote”.

Sempre com proprietários fieis, e que acreditam em seu trabalho, como o Stud Cláudia, o Porfírio Moethé Neto, Benedito Caeté Ferreira Filho, o Stud São Sebastião do Alto, o Stud Taville, entre outros, Renan tem se especializado em comprar cavalos baratos nos leilões realizados e conseguir inúmeras conquistas com eles.

Em meados de julho, Renan colocou de volta nas pistas o cavalo Islandês, um animal que teve bom início de campanha defendendo seu criador e depois um problema na rótula (detectado e curado pela veterinária, Dra. Márcia Ramos) o afastou das pistas. O treinador teve a paciência de esperar – Islandês ficou 20 meses fora das pistas – e fazer o cavalo voltar às competições, vencendo:

“Foi uma vitória empolgante. O Islandês esteve solto no haras para descansar e muitos não acreditavam na sua recuperação. Mas, ele tem um coração enorme e mesmo em distância contrária e com longo tempo sem competir, mostrou raça e categoria para vencer. Isso compensa todo o esforço e paciência.”

Energetic é outro bom exemplo do trabalho de Renan. Adquirido por parcelas pequenas num leilão, o castanho criado pelo Haras Balada já conseguiu sete vitórias em doze apresentações sob sua responsabilidade.

A alegria da vitória

“Tento sempre encontrar um cavalinho menos observado, e que eu enxergue potencial, nos leilões ou até mesmo nos claimings. O Energetic foi um desses. Corria ele na minha farda (Stud Perla Renan) e ofereci sociedade ao Stud Taville. Ele “gostou” da farda nova e já venceu seis provas para seu novo dono, que está feliz da vida. Mais que meus patrões, esses proprietários tornam-se amigos/ sócios e vamos renovando um pouco o turfe, com a presença de familiares e amigos, o que é extremamente necessário para a sustentação da atividade.”

Vencedor dentro e fora das pistas, o simpático Renan Marques, é sempre visto com um sorriso no rosto, brincando com profissionais e turfistas e tem no filho, Renanzinho, um grande motivo de orgulho.

Se, quando garoto, o filho optou por seguir a carreira do pai, tornando-se jóquei, em 2009, Renanzinho graduou-se em Direito e foi o primeiro jóquei com formação acadêmica a atuar no turfe fluminense.

Após abandonar a profissão de jóquei, Renanzinho recebeu o convite do então presidente da Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro, Luiz Fernando Alencar, para participar como consultor da comissão e trabalha como comissário até hoje.

Dr. Renan Marques, o “Renanzinho”

Renan emociona-se ao falar do filho:

“É você ver um sonho realizado. Os desejos de nossos filhos passam a ser as nossas vontades. Então, vê-lo trilhar esse caminho é muito gratificante e especial.”

O turfe é isso: seus personagens e suas histórias. As disputas nas pistas e as conquistas dentro e fora delas são capítulos de uma história que nunca se apagará.

Texto: Thiago Guedes

Fotos: Sylvio Rondinelli & Arquivo JCB

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