André Mendes, o jóquei

Durante alguns bons anos, André Mendes teve seu trabalho reconhecido como redeador e excelente na arte de preparar nos matinais os cavalos treinados por Venâncio Nahid.

Mendes no CT Vale do Itajara

Em 2018, isso começou a mudar e, apesar de ainda ser uma fera nos aprontos pela manhã, o mineiro vem mostrando ótima técnica na condução dos cavalos. O jóquei A. Mendes, nos programas oficiais, têm recebido, e aproveitado, algumas boas chances, vencendo suas carreiras e dando boas direções.

Mendes preparando-se para mais um matinal na Gávea

Em pouco tempo, já conseguiu quatro vitórias. O número pode parecer baixo aos olhos de um leigo, porém, conhecendo o alto nível dos pilotos que trabalham no Hipódromo da Gávea, é nítido e claro que Mendes está conquistando seu espaço no concorridíssimo turfe carioca.

Chegar até esse momento não foi fácil, mas André perseverou, lutou e vai contar um pouco da sua história:

Jesio Gouveia, ex-jóquei, treinador e pai de André Mendes

“Comecei em 1993, no Hipódromo de Serra Verde, em Belo Horizonte, onde meu pai (Jésio Gouveia) treinava. Ganhei rapidamente 11 carreiras e vim para o Rio de Janeiro, pois as inscrições na Escola de Aprendizes estavam para se encerrar.

Fiz o teste com um cavalo chamado Royan, do Haras São José & Expedictus, cujo segundo gerente responsável era o Leo Reis (hoje treinador). Consegui ser aprovado e não demorou muito para conseguir as 70 vitórias e passar a jóquei.

Nessa hora tudo fica mais difícil, pois a transição da Escolinha para a vida de jóquei é dura, principalmente com a concorrência que existia na época de jóqueis como Jorge Ricardo, Juvenal Machado da Silva, Gonçalino Feijó de Almeida, Gilvan Guimarães, Jorge Leme, entre outros.

A concorrência no turfe carioca exige trabalho para chegar ao sucesso

Com a família longe e muito jovem, acabei me afastando um pouco do trabalho e perdendo as oportunidades. Então, recebi um convite do treinador Luis Esteves para domar uns potros no Centro de Treinamento. Fui com a ideia de ficar uns três, quatro meses e voltar.”

Só que, nesse período, André conheceu a jovem Ana Paula (sua esposa). Apaixonou-se e a vontade de ficar pela serra era maior que o desejo de voltar à Gávea. Um chamado do treinador Venâncio Nahid para preparar os cavalos no CT Vale do Itajara foi a senha para Mendes seguir em Petrópolis e região.

Durante 13 anos, Mendes foi responsável pelo preparo de algum dos melhores cavalos de Venâncio, que é o treinador mais vitorioso em atividade no turfe do Rio de Janeiro, vencedor de algumas das mais importantes provas do turfe nacional:

A.Mendes trabalhando Anakin, no Hipódromo de San Isidro, na Argentina

“Aprendi demais com o Venâncio e posso dizer que hoje ele é um irmão para mim. Trabalhei cavalos como Jeune-Turc, Fluke, Flymetothemoon, Anakin, Barolo e outros mais. Posso dizer que ganhamos juntos alguns dos principais páreos do país.

Tive uma fratura na perna e estava com dificuldade de manter o peso na serra. Conversei com o Nahid e ele me deixou á vontade para descer de vez e tentar a carreira de jóquei aqui na Gávea. Nesse período em que fiquei lá, segui montando aqui na Gávea, mas muito pouco e, geralmente, cavalos treinados pelo próprio Venâncio.

Leonardo José dos Reis acolheu Mendes em seu retorno à Gávea

Cheguei aqui e contei com o total acolhimento do Leonardo José dos Reis e posso dizer, sem medo de errar, que não fosse ele, não teria conseguido conquistar esse espaço. O Mauro Andrade, o Reisinho, meu irmão, Alessandro Damasceno, o Danilo Aglio, que é agente de montarias e encilhador também estão me auxiliando e torcendo demais por mim.

Mendes e seu irmão, Alessandro Damasceno

A competição aqui na Gávea é ferrenha, mas estou com disposição para vencer e vou trabalhar muito duro para isso.”

Encerrou emocionado, André Mendes, o jóquei.

Texto: André Cunha

Imagens; Arquivo JCB; Flavio Géo & Sylvio Rondinelli

Compartilhe com seus amigos