Guia completo: tudo o que você precisa saber sobre corrida de cavalos

Guia completo: tudo o que você precisa saber sobre corrida de cavalos

Corrida de cavalo é um esporte apaixonante e de muitas emoções. No entanto, para que aconteça com sucesso, cavalos e jóqueis precisam estar preparados e muito bem treinados. Afinal, não se faz um campeão da noite para o dia.

Conhecer o mundo do turfe, as principais raças de cavalos para corridas, os cuidados necessários e como se formam os jóqueis torna ainda mais proveitoso o esporte. Para isso, nada melhor do que dispor de um guia especialmente preparado para você.

Continue a leitura e veja tudo o que você precisa saber sobre corrida de cavalos neste guia completo.

1. Quais as raças de cavalos utilizadas nas corridas?

A corrida de cavalo constitui uma atividade que requer animais velozes e resistentes, capazes de apresentar um bom desempenho na pista. Com tais características, algumas raças se mostram mais adaptadas aos esportes hípicos e, em especial, às corridas.

Na verdade, certas linhagens de cavalos foram desenvolvidas com vistas ao aprimoramento de suas qualidades, de modo que conduzisse a desempenhos cada vez melhores. Dessa forma, para o turfe, existem algumas raças consideradas como as principais para o esporte. Veja mais sobre elas a seguir.

1.1. Puro Sangue Inglês

O cavalo da raça Puro Sangue Inglês (PSI) é, sem dúvida, a estrela das pistas de corrida. Não sem razão, pois foi aprimorado para esse fim, a partir de raças caracteristicamente velozes e resistentes.

Considerado mais leve que os cavalos de outras raças, o PSI também é dono de uma elegância e classe que chamam a atenção. Tudo é isso tem uma origem definida e o animal precisa ter comprovada sua descendência.

O treinamento de um PSI é dirigido desde cedo para corridas longas ou curtas, de acordo com as características do animal. Com esse cuidado, é possível otimizar suas potencialidades e especializar cada cavalo em uma aplicação.

Por sua vez, um traço da personalidade dessa raça é o nervosismo que lhe permite uma explosão na largada. Além disso, sua resistência lhe capacita a manter uma elevada performance ao longo da corrida. Da mesma forma, a raça se destaca na equitação e nos esportes de caça montada.

1.2. Quarto de Milha

Primeira raça de cavalos desenvolvida nos EUA, a Quarto de Milha se caracteriza pela força resultante da potência de sua musculatura. A resistência e a velocidade que alcançam garantem a esses cavalos lugar de destaque como cavalos de corrida.

Nesse sentido, a capacidade de arranque do cavalo Quarto de Milha faz dele um excelente competidor nas corridas curtas, para as quais é mais indicado. O próprio nome da raça resulta da velocidade com que consegue percorrer um quarto de milha (cerca de 400 metros).

Além dessa habilidade, é muito empregado na lida do gado, nos esportes equestres rurais e nos desfiles e paradas militares em razão de sua docilidade. Nessas atividades, é considerado o cavalo mais popular do mundo.

A universalidade de seu emprego pode ser exemplificada pelo sucesso que faz no Nordeste brasileiro. Entre os cavalos utilizados nas famosas vaquejadas já é considerado a melhor raça.

1.3. Árabe

O cavalo Árabe constitui uma das 3 raças de puro-sangue, juntamente ao Puro Sangue Inglês e o Puro Sangue Lusitano. Embora tenha evoluído de diversas outras, a raça Árabe é considerada a mais antiga e mais pura, desenvolvida inicialmente por beduínos dos desertos árabes.

O estilo inconfundível de sua cauda e da cabeça do animal fazem dessa a raça mais facilmente identificável. Além disso, por outras características físicas, como o pescoço de cisne e as orelhas curtas, você logo reconhece um representante.

O Árabe é um cavalo de porte médio, mas de muita resistência. Como apresenta uma boa musculatura, além de seu emprego em corridas, também é muito utilizado nos esportes, como o hipismo clássico e nas provas de enduro (longos percursos em ambientes rústicos).

1.4. Trotador Francês

Desenvolvido para a corrida de trote, o cavalo Trotador Francês constitui uma raça caracterizada principalmente pela marcha que apresenta no deslocamento. Como traços da raça, a resistência excepcional e a agilidade se destacam e são importantes no esporte em que reina absoluta.

Por sua vez, a gentileza e a calma do Trotador Francês fazem com que o animal seja de fácil lida nos treinamentos e muito obediente aos comandos. Na verdade, o comportamento do cavalo parece sempre querer agradar ao treinador.

A França, país onde o esporte é muito difundido, realiza mais de 11 mil provas da corrida de trote por ano. No Brasil, o esporte está recebendo forte estímulo a partir do acordo com a LeTrot francesa e a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos de Trote (ABCCT).

2. Como é realizado o treinamento dos equinos?

Na formação de um atleta das pistas, a linhagem genética do animal responde por, pelo menos, um terço dos resultados que podem ser esperados no seu desempenho. Por sua vez, dependendo do tipo de corrida, assim como das características individuais, existe um treinamento específico para cada cavalo.

2.1. Período de treinamento

Logo no início, é preciso considerar a saúde do cavalo e preparar as condições sanitárias adequadas, por meio de limpeza e desinfecção, a fim de garantir a sanidade do ambiente e do próprio animal. Assim, insetos e outros parasitas devem ser removidos e um tratamento vermífugo deve ser garantido e, do mesmo modo, a necessária vacinação.

Tomados os primeiros cuidados com a saúde, têm início os trabalhos de preparo do futuro campeão. Para isso, a doma do cavalo para o turfe começa aos dois anos de idade, a fim de acostumar o animal e deixá-lo mais dócil para o trato.

Quando uma relação mais calma já tiver sido construída, pode ser iniciado o treinamento propriamente dito. Primeiramente, o cavalo é conduzido a realizar alguns trotes e depois galopes curtos, com tiros de 200 até 800 metros, sempre pela manhã bem cedo para evitar calor excessivo.

Além de ir preparando e fortalecendo o animal, o treinamento de cavalo também aponta as condições de melhores respostas que cada um apresenta. Esses cuidados são diários e essa rotina permite que o animal seja melhor conhecido e se acostume com os trabalhos e com as pistas.

2.2. Exercícios para tonificar a musculatura

Cavalos de corrida são animais de alta performance e que, por essa razão, necessitam desenvolver em especial as fibras musculares de contração rápida. Para esse fim, os treinos devem ser mais intensos, porém mais curtos, priorizando o desenvolvimento da musculatura de explosão.

Esse treinamento consome de 18 a 24 meses até que o cavalo esteja em condição de competir. Como regra geral, no entanto, o animal não deve realizar o mesmo tipo de condicionamento por períodos consecutivos, sendo importante as variações para se evitar sobrecarga e os riscos de lesões.

Nesse período de treinamentos, não apenas o tônus muscular é desenvolvido, mas a capacidade cardiorrespiratória do cavalo também precisa se adaptar. Do mesmo modo, os ligamentos da estrutura musculoesquelética devem ser fortalecidos.

Após cada sessão de treinamento, os cavalos são levados a uma piscina com o fim principal de promover o relaxamento muscular e melhorar a capacidade pulmonar. Além disso, passam por massagem, banho e demais cuidados.

2.3. Simulação de corridas

O preparo de um cavalo para corrida constitui um processo progressivo e contínuo para capacitar fisicamente o animal, assim como fazê-lo entender as regras do esporte. Desse modo, as práticas diárias, à medida que vão fortalecendo o cavalo, também vão preparando sua performance para a realidade da pista.

Com esse fim, o treinamento de um cavalo deve ser específico e o mais próximo possível da realidade. Nesse caso, o animal destinado às corridas deve passar por frequentes treinos que simulam uma corrida.

Para isso, é importante haver exercícios, por exemplo, em que o cavalo corra acompanhado de outros, de modo a acostumar-se com a presença dos competidores. Ao mesmo tempo, possíveis situações de estresse ou diferentes intensidades de esforço requerido devem ser simuladas.

2.4. Tempo de descanso

O processo de fortalecimento e preparo do cavalo de corrida se dá por momentos sucessivos de danos e reparos na musculatura, como acontece com o preparo físico de qualquer desportista. Dessa forma, os tecidos se fortalecem e se adaptam à maior carga de trabalho exigida.

No entanto, isso significa que os esforços de um dia devem ser compensados com o descanso adequado de outro. Na prática, o que se faz é suceder os dias de mais com os de menos esforços e intercalar um verdadeiro dia de descanso na semana.

Além disso, de maneira geral, de 3 a 7 dias antes de uma competição deve-se procurar reduzir a carga de trabalho do cavalo atleta em seu treinamento. Essa iniciativa facilita a recuperação dos tecidos musculares e reduz as possibilidades de ocorrência de lesões.

3. Qual a alimentação adequada para cavalos de corrida?

Neste guia com tudo sobre cavalo de corrida, é importante adicionar que cavalos são animais herbívoros, isto é, que se alimentam de ervas. No entanto, diferentemente dos bovinos e ovinos, cavalos são não ruminantes, quer dizer, não apresentam um segundo tipo de estômago, o rúmen, para a digestão em duas fases como bois e carneiros.

De maneira geral, a disponibilidade constante de água e uma alimentação diversificada podem atender bem o cavalo de corrida. É preciso levar em conta que cada animal tem suas especificidades, em especial os cavalos de raça.

3.1. Hidratação

A água é indispensável e deve estar sempre limpa e fresca, além de permanentemente disponível. Considere que, de modo geral, um cavalo consome de 5 a 20 litros de água por dia. Esse volume pode variar principalmente em função de fatores como:

  • a atividade desenvolvida: maior intensidade, maior demanda por água;
  • os teores de água do alimento ingerido: quanto mais alimento seco, maior a necessidade de água;
  • a temperatura ambiente: níveis elevados de temperatura exigem mais água;
  • a lactação: éguas em período de amamentação necessitam de maior ingestão de água.

Assim, esteja certo de que lhe foi oferecida água pelo menos em três oportunidades ao longo do dia. Mas, o ideal é que tenha acesso livre em qualquer momento que queira fora dos treinos.

De todo modo, procure regrar a fim de que exista um intervalo de 1 hora antes e depois de um treinamento. Isso significa que o cavalo não deve beber imediatamente antes ou depois de um treino, mas aguardar aquele intervalo.

3.2. Ração de alta energia

A base da alimentação dos cavalos deve ser o verde, responsável pelo fornecimento de carboidratos estruturais. Assim, feno e capim precisam ser regularmente disponibilizados como o principal alimento da dieta.

Um bom cuidado a se observar diz respeito à presença de mofo e poeira nos alimentos oferecidos aos cavalos. A falta de atenção quanto à qualidade do alimento pode resultar em distúrbios alimentares e respiratórios nos animais.

Cereais, como aveia, milho e cevada, também devem compor a dieta dos cavalos de corrida. Esses alimentos, no entanto, embora forneçam carboidratos não estruturais, devem ser oferecidos em quantidades pequenas e controladas.

Em dias quentes, os cereais devem ser fornecidos nas horas mais frescas do dia. Podem ser oferecidos juntamente á ração e sua quantidade dimensionada em função desta.

Por sua vez, o fornecimento de rações industrializadas pode complementar a alimentação. Com esse aporte, proteínas, vitaminas, gorduras e minerais podem suprir qualquer déficit nutricional que apareça, embora o verde seja o alimento essencial.

3.3. Aporte vitamínico

Se, por qualquer motivo, houver demanda extraordinária por vitaminas e minerais, uma suplementação poderá ser realizada. Aportes vitamínicos para cavalos devem ser realizados sob orientação de um médico veterinário para que se verifique a real necessidade e se defina o suplemento pertinente a ser empregado, assim como sua dosagem.

Em situações normais, a alimentação supre as necessidades dos animais. No caso de cavalos de corrida, o elevado desempenho exige maior disponibilidade nutricional e, dessa forma, uma suplementação com vitaminas pode ser necessária.

Em qualquer caso, os suplementos, assim como a ração e os cereais, devem ser muito bem dimensionados por um profissional habilitado. Leve em conta que a alimentação é um dos pilares da formação de um campeão e não pode se transformar em um problema em razão de excessos ou irregularidades quaisquer.

4. Quais os tipos de corrida de cavalo?

Quando se fala em corrida e cavalo, a imagem mais comum que nos vem à mente é a da pista com competidores a todo galope, cada um tentando alcançar a dianteira e chegar em primeiro lugar. Mas, existem outras formas de corrida nas quais também podem ser feitas apostas e com as mesmas emoções.

4.1. Galope

O galope é o mais tradicional tipo de corrida de cavalo no Brasil. Alinhados nos boxes, os competidores são autorizados a partir. Este é o momento da largada, na qual todos têm o objetivo de alcançar a linha de chegada em primeiro lugar.

O formato das pistas nos hipódromos pode ser oval (volta fechada) ou linear (cancha reta), com o piso em areia ou coberto com grama. No primeiro caso (pista de volta fechada), a extensão do percurso pode chegar a 2.400 metros e os animais atingirem velocidades da ordem de 60 km/h.

4.2. Galope com obstáculos

Nas provas de galope com obstáculos, além da velocidade, é exigida destreza do jóquei e do cavalo para a superação das barreiras físicas que devem ser ultrapassadas. A extensão nessa modalidade de corrida pode ultrapassar os 2.400 metros antes referidos.

Para as provas, existem basicamente 3 maneiras de apresentar os obstáculos:

  • 7 obstáculos ao longo da pista, todos iguais;
  • steeplechase: diversos obstáculos diferentes, como cercas, sebes e valas;
  • cross country: diversos obstáculos naturais, como moitas de arbustos e pequenos lagos.

4.3. Galope em pista plana

O galope em pista plana ou cancha reta, como visto, apresenta as extensões bem menores. Constitui provas curtas, da ordem de 300 a 500 metros e são muito comuns no hipismo rural.

No Brasil, esse tipo de corrida tem em sua história a tradição das “carreiras”, principalmente no Rio Grande do Sul. Nessas competições, a população se postava de ambos os lados da pista para apreciar as disputas que, normalmente, ocorriam aos pares.

4.4. Trote

O trote é uma modalidade de corrida diferenciada, principalmente pelo passo do animal. Enquanto no galope a movimentação das pernas é paralela, no trote ela é diagonal, com a perna dianteira direita sendo acompanhada pela perna traseira esquerda.

Em razão do passo diferenciado, as corridas de trote alcançam velocidades menores que no caso do galope. Esse tipo de corrida pode ser montado como qualquer outra prova, ou atrelado.

No trote atrelado, o jóquei não monta o cavalo, mas vai sobre o sulky, uma espécie de charrete simples atrelada ao animal. A França é o país onde a corrida de trote é mais popular.

5. O que é preciso saber sobre os jóqueis?

Jóqueis e joquetas são parte integrante dos profissionais do turfe. No momento da corrida, no entanto, se integram ao cavalo que estão montando e constituem uma equipe única no trabalho que desempenham.

Para ser um profissional das corridas de cavalo é preciso apresentar certas condições e se preparar por um treinamento diário. Esse é o principal aspecto a ser levado em conta pelo jóquei que precisa desenvolver uma afinidade com o cavalo já que vai compor uma equipe com ele para competir.

5.1. Condições físicas

O peso médio de um jóquei varia em torno de 49 a 54 kg. Com relação à altura, embora não haja um limite definido, em geral costumam ser de baixa estatura, medindo normalmente entre 1,47 e 1,68 metro.

No entanto, o ritmo de trabalho requer condições físicas muito boas para atender ao treinamento. Além disso, muita dedicação e esforço são necessários e, para isso, o corpo precisa se manter capacitado para acompanhar.

Nesse sentido, um dos maiores cuidados que o profissional do turfe precisa ter é conseguir se manter dentro do peso. Muitas carreiras se encerram pela dificuldade de atender a esse quesito da profissão do qual não se pode escapar.

5.2. Equipamentos de segurança

Embora a duração de uma corrida de cavalo seja curta, cada segundo representa uma situação de risco para o jóquei e para o cavalo. Uma queda em alta velocidade pode ter consequências drásticas.

Assim, do mesmo modo que um piloto de fórmula 1 tem seu equipamento de segurança, também o jóquei deve estar protegido contra situações inesperadas. Por essa razão, dentre outras, alguns equipamentos são indispensáveis, como:

  • capacete: feito de material leve, protege a cabeça do profissional no caso de queda e vai sob o boné;
  • óculos: seu objetivo é proteger os olhos do vento e de partículas de areia ou de grama, conforme a pista;
  • viseira: em algumas situações, além dos óculos, se faz uso de uma viseira para aumentar a proteção;
  • colete: protege contra os impactos resultantes principalmente de possíveis quedas.

5.3. Treinamento

A rotina de um jóquei decididamente não é o que poderia parecer a um leigo: montar o cavalo e correr por alguns instantes. A realidade é bem outra e requer muita dedicação do profissional.

A formação de um jóquei começa como aprendiz, e pode se dar a partir dos 16 anos de idade, tanto para meninos como para meninas. Quase sempre os aprendizes residem em alojamentos da própria vila hípica, principalmente porque muitos vêm de outras cidades.

Ao longo de dois anos o aprendiz percorre 4 fases nas quais deve apresentar um determinado desempenho em vitórias nas corridas de que participa. Durante esse período realiza inúmeras atividades ligadas ao cuidado e ao treinamento dos cavalos e, a partir da quarta fase, torna-se jóquei profissional.

Os trabalhos, quase todos os dias, começam ainda de madrugada. Nos afazeres do dia a dia, o jóquei deve estar sempre próximo do cavalo, buscando permanente interação com o objetivo de construir uma verdadeira amizade com o animal.

Uma corrida de cavalo é um show emocionante, mas possui os seus bastidores onde tudo é preparado ao longo de anos. Nesse caminho, as equipes de futuros campeões são permanentemente treinadas para o desempenho que o esporte requer.

Gostou do conteúdo e quer continuar lendo sobre o assunto? Então não deixe de dar uma olhada em nosso artigo sobre como acompanhar corridas de cavalo e descubra quais são os principais e mais assistidos circuitos do mundo!



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