Cavalos aposentados: para onde vão após se retirarem das pistas?

cavalos aposentados

Uma vida inteira com glórias, premiações e, até, cuidados de luxo. Enquanto trabalham duro para alcançar as melhores posições nas pistas, os cavalos de corrida têm seus cuidados garantidos. Mas, você sabe o que acontece com eles quando a aposentadoria chega?

Cavalos de corrida aposentados — o que não significa que estejam idosos — podem ser vendidos ou doados a haras, criadores particulares, centros de equoterapia, hotéis-fazenda ou levados para centros de reprodução, já que, muitas vezes, têm o DNA de verdadeiros campeões.

Neste artigo, você vai descobrir quantos anos vive, em média, um cavalo de corrida, durante quanto tempo ele compete e quais os principais destinos dos cavalos aposentados. Confira!

Quantos anos, em média, vive um cavalo de corrida?

Raças de cavalos que são utilizados em corridas, como puro-sangue inglês e quarto-de-milha, costumam viver de 20 a 25 anos. Nessa faixa de idade, é possível perceber que o animal já está idoso. O dorso fica arqueado, os olhos um pouco encovados e os dentes bastante gastos.

Em junho de 2018, um dos reprodutores mais conhecidos por quem acompanha o turfe no Brasil morreu. Wild Event era um puro-sangue inglês que chegou aos 25 anos e gerou 466 filhos vencedores nas pistas!

Outras raças de cavalos, como os de tração, que trabalham com arado e transporte de cargas, vivem mais, chegando a 30 anos. Alguns pôneis também alcançam uma idade superior aos cavalos de corrida, vivendo até os 45 anos.

No Brasil, o Código Nacional de Corrida permite apenas as espécies puro-sangue inglês, quarto-de-milha, árabe e anglo-árabe. Todos eles têm expectativa de vida parecida.

Durante quanto tempo um cavalo compete?

Um cavalo pode competir por mais de 10 anos. Geralmente, eles entram nas competições com 2 ou 3 anos de idade e competem até os 15. Esses números, no entanto, podem variar bastante.

Antes de entrar na competição, os cavalos devem ser domados e treinados, o que pode influenciar a idade em que ele está pronto para começar a participar dos páreos. O tempo desse preparo pode variar de animal para animal.

Alguns cavalos começam a competir um pouco mais velhos e se aposentam com uma idade menor, próximo aos 9 anos. Tudo vai depender do desempenho nas corridas, de como eles foram tratados ao longo dos anos e se desenvolveram alguma lesão.

Qual é o destino mais comum dos cavalos aposentados?

Assim como o tempo de duração da carreira do cavalo varia, a idade para ele aposentar também pode mudar. Em alguns casos, eles são comprados por proprietários que desejam estender mais um pouco sua vida dentro das pistas.

Os proprietários dos animais de corrida procuram sempre proporcionar um descanso adequado para os animais. Em alguns casos, quando há alguma relação forte entre o animal e o treinador ou o jóquei, é possível que ele fique aos cuidados dessas próprias pessoas.

Uma alternativa comum é levar os animais para fazendas de criadores particulares, haras que oferecem aulas de equitação, centros de equoterapia e centros de reprodução.

Um animal aposentado ainda pode servir para o lazer e fazer a alegria de crianças em sítios, hotéis-fazenda e parques. No caso de centro de equoterapia, eles servem de apoio para ajudar no desenvolvimento motor de pessoas com deficiência e que precisam de recuperação muscular e força.

Também existem ONGs que abrigam os animais até eles encontrarem novos donos. Nos Estados Unidos, a Thoroughbred Retirement Foundation (Fundação de Aposentadoria de Puro-sangues, em tradução livre) promove a adoção dos animais desde 1983, quando foi fundada.

Os cavalos e éguas levados para reprodução costumam ser aqueles com histórico nas pistas de mais de sucesso. No fim de 2017, diversos campeões internacionais seguiram esse caminho, como o Arrogate, da equipe Juddmonte Farms, e Ulysses, da britânica Chevelet Park Stud. Além de repassarem sua genética campeã, os garanhões enviados para reprodução passam a ser uma boa fonte de renda para os proprietários, ajudando a manter a estrutura de criação e treinamento dos haras. Uma cobertura pode chegar a 35 mil euros.

Outros cavalos que também foram destinados para centros de reprodução, recentemente, são o americano Gun Runner, o francês Timoko e as éguas brasileiras Daffy Girl, de propriedade do Haras Santa Maria de Araras, e No Regrets, do Haras Doce Vale.

Daffy Girl deixou as pistas em 2017, mas, antes disso, venceu o Grande Prêmio Diana, exclusivo para éguas, o Derby Paulista e o Grande Prêmio Doutor Frontin. Também em 2017, No Regrets, se consagrou Tríplice Coroada, no Hipódromo da Gávea, e foi levada para reprodução meses depois.

Escolher com quem acasalar uma campeã é uma grande responsabilidade. Isso porque, enquanto um cavalo pode cobrir várias fêmeas, durante a chamada temporada de monta, uma égua pode gerar apenas um potro por ano. O período de gestação é de 11 a 12 meses. Esse trabalho de melhoramento genético tem sido fundamental para o aprimoramento da raça.

Qual é o custo médio dos cuidados com um cavalo aposentado?

Cuidar de um cavalo requer algum investimento que pode variar de acordo, por exemplo, com a idade, o local onde ele fica, se é de um ou de vários proprietários. No caso dos animais aposentados, esse valor pode ser um pouco maior porque o cuidado médico precisa ser mais rigoroso e recorrente. Apenas os cuidados básicos em um haras, por exemplo, podem custar entre R$ 750 e R$ 2 mil, por mês.

Com esse valor, em média, é possível contratar baia, alimentação e piquete, além de limpeza diária de cascos, agendamento automático de troca de ferraduras e vacinação, redondel. Veterinários, vacinas, vermífugos e acessórios não estão incluídos nos valores fixos.

Agora você já sabe um pouco mais sobre o destino dos cavalos aposentados. Alguns podem seguir a hotéis-fazenda e encontrarem uma velhice oferecendo passeios a crianças, outros ajudam na recuperação em centro de equoterapia e, alguns podem ser comprados por criadores particulares.

Um destino de honra, no entanto, são os centros de reprodução, os garanhões e éguas ajudam a continuar a linhagem de campeões, além de garantirem o retorno do investimento feito por seus criadores.

Gostou de entender um pouco mais sobre os cavalos aposentados? Então, aproveite para conhecer mais desse mundo e leia outros artigos no blog.

Compartilhe com seus amigos