Itajara, o craque que não vi correr

O esporte é feito de ídolos, de mitos, lendas que, inevitavelmente, nos trazem uma pitada de saudosismo. Até mesmo de uma época em que não existíamos. Assim como é difícil não lembrarmos de Ayrton Senna, quando falamos em Fórmula 1, ou de Pelé, em um bate papo sobre futebol, quando o tema é cavalo de corrida no Brasil, Itajara ganha o foco.

Quando colocamos uma personalidade no posto de ídolo, a polêmica, a adoração e a desconfiança sempre vão existir. Para muitos, Itajara foi o maior de todos os tempos – inclusive, levou esse título em votação popular feita pelo jornal O Globo, em 2007. Para alguns, apenas um bom cavalo que nunca enfrentou animais à altura.

Itajara foi capa da revista Manchete

Bem, o fato é que Itajara correu sete vezes, incluindo quatro provas de Grupo 1, e nunca perdeu. Foi tríplice coroado e recordista em uma época de ouro do turfe no país. Correu na grama e na areia, dos 1.100 aos 3.000 metros. Não chegou ainda mais longe por conta de uma lesão que o fez encerrar sua campanha de maneira precoce.

Arrastou multidões para o Jockey Club. Suas vitórias impressionaram tanto que lhe deram destaque até mesmo fora dos hipódromos. Foi capa de revista, pauta dos principais jornais, rádios e emissoras televisivas a época.

Isso tudo aconteceu em 1987, quando eu tinha apenas três anos. Eu estava no Hipódromo da Gávea em suas principais conquistas, afinal meu tio, José Ferreira dos Reis, o Reisinho, era “o jóquei do Itajara” – apelido que o acompanha até os dias atuais. Mas não tenho lembrança alguma. Acho que nem poderia né?!

Itajara foi o craque que “não vi correr”. E o seu, qual foi?

Texto: Celson Afonso

Imagens: Arquivo pessoal e Haras São José & Expedictus.

1 comentário em “Itajara, o craque que não vi correr

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